Atenção que estes contos não se destinam a crianças. Poderão, eventualmente, ter conteúdo não aconselhável a menores

Quarta-feira, 23.06.10

À falta de um conto completo, fica aqui um excerto de algo que estou a escrever...

Comentem se quiserem...

 

Virou-se para o outro lado e tentou novamente adormecer. Já estava mesmo a ver que só iria adormecer lá para as seis da manhã. Não adiantava deitar-se cedo, o seu corpo recusava-se a adormeçer a horas normais.

Com certeza era por isso que se sentia tão cansado. Até nem se levantava muito cedo, mas por muito que tentasse nunca conseguia adormecer a horas decentes. Já não pedia para dormir as oito horas recomendadas. Isso seria um luxo. Mas pelo menos conseguir dormir quatro horitas de seguida seria um grande alívio. A seu lado, Catarina virou-se também e ficou com a cara virada para a dele. Na escuridão não a conseguia ver, apenas lhe sentia a respiração. Felizmente ela não tinha problemas em adormecer. Sentiu uma ponta de inveja, e pensou em acordá-la. Podia mexer-se de forma a acordá-la, sem que parecesse intencional. Ou podia fazer algum barulho. Suspirou, sabendo que não iria fazer nada. Ia deixá-la dormir e esperar que o sono chegasse. De repente, sentiu vontade de a ver, e com cuidado virou-se para o lado de fora da cama e estendeu o braço até ao candeeiro da mesa de cabeceira. A luz, apesar de não ser muito forte, obrigou-o a fechar os olhos por um momento. Virou-se novamente para o meio e ajeitou-se na almofada de modo a observá-la enquanto dormia. Com muito cuidado afastou uma madeixa de cabelo que caía sobre o seu rosto, e ficou em silêncio, a vê-la a dormir. Se anteriormente sentira um momento de inveja pelo sono que ela dormia, agora apenas sentia adoração. Conhecia aquele rosto ao milímetro, tantas vezes o beijara. Mesmo agora, beijava com os olhos, os lábios, a ponta do queixo, as maçãs do rosto, o nariz, as pálpebras, terminando na testa.

Já não se importava com o sono que não vinha. Apenas queria ficar ali, quieto, sem a perturbar, enquanto lhe admirava o rosto. E assim ficou uns bons dez minutos até Catarina, sempre a dormir, se voltar para o lado oposto e o deixar a olhar para a sua nuca. Ainda esteve mais uns minutos a observar a sua forma, e o modo como ela levantava ligeiramente a roupa da cama ao respirar. Depois, olhou para o relógio na mesa de cabeceira. Eram 4:30. Apagou a luz e ficou no escuro até que, sem dar por isso adormeceu.

Acordou passadas umas horas, com o despertador, a tocar em alto e bom som. Resmungando, esticou o braço, e silenciou-o. Olhou para o outro lado e viu Catarina a olhar para ele, com os olhos semi-cerrados ainda mal despertos. Ela sorriu-lhe, encostou-se a ele, com a cabeça pousada sobre o ombro dele, e pôs-lhe o braço por cima, abraçando-o e assim ficaram os dois durante alguns momentos.

- Então? Conseguiste dormir hoje? - Perguntou ela baixinho.

- O costume... Ainda vi as 3 horas - Mentiu ele.

- Se calhar devias ir ao médico. Não te faz bem dormires tão pouco...

Virou-se para ela, beijou-lhe a testa e disse-lhe: - Tenho tempo para dormir quando estiver morto. Mas agora tenho de ir tomar banho para me despachar... Pensas que tenho a tua vida?

- Sim. vai lá ganhar dinheiro para me sustentares - disse rindo-se, enquanto ele se levantava - Vai que eu vi uns brincos de diamante que me ficavam mesmo a calhar...

-Só uns brincos? Vai lá e pergunta se não tem também umas pulseiras e aquelas coisas que se põem no cabelo, aqui em cima -  e com as mãos desenhou um semicírculo sobre a cabeça.

-Uma tiara? Boa! Se calhar até compro duas, se estiverem a bom preço. - E sentou-se na cama, abrindo os braços e espreguiçando-se lenta e gostosamente, enchendo o peito e fazendo levantar a frente da camisola com que dormia.

Ele, que a estava a observar, sorriu ao ver a camisola levantar, suspirou e avançou na direcção da casa de banho. Agora precisava mesmo de um duche frio pensou para si mesmo, enquanto entrava no polibã. Experimentou abrir apenas a água fria, mas assim que esta lhe bateu nas pernas, arrependeu-se imediatamente e abriu também a água quente. Misturou-as até à temperatura desejada e colocou-se debaixo do jacto de água. Depois fechou a àgua, ensaboou-se todo de cima para baixo, e voltou a abrir a água, esfregando-se enquanto a água retirava a espuma que tinha no corpo. Abriu a boca na direcção do jacto de água e deixou que esta lhe entrasse para a boca, gargarejou e cuspiu a água fora. Fechou a água e saíu enxugando-se com uma toalha. Olhou-se ao espelho e decidiu não fazer a barba. Preferia fazê-la à noite quando se fosse deitar. Sorriu lembrando-se que Cataria também o preferia de barba feita. Mas agora tinha de se despachar, para não chegar atrasado. Saiu da casa de banho com a toalha enrolada à cintura e ficou parado a olhar para Catarina que se tinha atravessado sobre a cama, aproveitando os últimos minutos. Aproximou-se da cama e deu-lhe uma palmada no rabo exposto.

- AU! - gritou ela voltando-se rapidamente - para que foi isso?

- É para aprenderes a não me tentares... pões-te aí de rabo para o ar, estavas mesmo a pedi-las - respondeu-lhe ele, abrindo uma gaveta e começando a procurar a roupa que iria vestir.

- Mau. - Catarina esfregava o rabo, olhando-o enquanto ele terminava de se vestir.



Escrito por AReis às 02:09 | link do post | comentar

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